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Em 1876, Louis Beysson, então com apenas 20 anos, publicou Geri ou un premier amour em Lyon – obra que é reconhecida como a primeira na literatura francesa a apresentar abertamente uma história de amor homoerótica. Sob a lente das teorias queer contemporâneas, Geri revela-se uma obra de significativa importância por dar voz a subjetividades dissidentes e transgredir normas de gênero e sexualidade em pleno século XIX. Além disso, Geri subverte expectativas de gênero ao atribuir aos dois protagonistas masculinos uma sensibilidade romântica e vulnerabilidade emocional que a sociedade oitocentista geralmente reservava às personagens femininas. Essa ruptura demonstra que a masculinidade pode incluir doçura, paixão e afeto, contrariando normas rígidas de comportamento de gênero. Uma obra rara, em que a delicadeza poética reveste de encanto um amor que ousa dizer seu nome à revelia de todos os preconceitos.
Alexandre Bonafim
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