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A poesia de Roberval Pereyr se sustenta na pesquisa da alma humana, vasculhando as várias máscaras que compõem nossa condição. Trata-se, à maneira de Pessoa, de uma escavação do eu, abrindo na subjetividade uma verdadeira dramaturgia do ser. Todavia, num mergulho místico e, ao mesmo tempo, muito humano, o poeta vai além do bardo português, pois abre, no cerne da voz poética, o desvelamento do mito como presença do sagrado em nossa humanidade. Se Pessoa encontra, no seu jogo de personas, o não-ser, Roberval vislumbra não só essa mesma vacuidade de tal ser, mas, também, o supra-ser, ou o ser numinoso que há em nossas várias vozes. Todavia, tal desvelamento do numinoso está longe de ser uma epifania solar. Trata-se de uma abertura para o tremendum, ou o sagrado selvagem, tal como formulou Rudolf Otto.
Alexandre Bonafim
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