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Os poemas reunidos nesta Antologia selvagem mobilizam figuras do mundo animal — do réptil ao cavalo, do colibri à barata — não como ornamento, mas como agentes de um pensamento poético que interroga a própria condição humana, suas ruínas e sua essência. A animalidade é aqui experiência estética e ontológica: ela convoca o eu lírico à sua própria vulnerabilidade, às fraturas do mundo, ao silêncio como linguagem. Esses poemas se aproximam do Aberto rilkeano, daquela região onde o bicho “vê com todos os olhos” e o humano, atado à palavra, apenas pressente — mas também deseja, sonda e, pela poesia, vislumbra. Se o animal vive imerso no instante, o poema — ao encarnar essa natureza — permite ao homem, por um momento, tocar essa dimensão originária da vida. O gesto poético, aqui, performa a animalidade, delineando uma linguagem em que um sagrado informe e visceral se manifesta plenamente pelas “personas animais”. Entre vislumbres de violência e epifanias de ternura, os poemas tensionam os limites da linguagem diante do indizível — e, nessa fricção, oferecem ao leitor a rara possibilidade de habitar outras formas de sensibilidade. Esta Antologia selvagem acolhe o animal como parte visceral do humano que esquecemos. Um livro feito de garras, asas, carapaças e perguntas: o poema como bicho, o bicho como pensamento.
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